
Em conseqüência do que denominou-se ufanismo nacional advindo da descoberta do pré-sal e
Otimismo comodista para uns, construção da cidadania para outros...
A tônica desses debates muitas vezes centra-se na questão do nacionalismo e suas inevitáveis e pertinentes associações ao nazi-fascismo.
A proposta é discutir a formação da identidade social no Brasil.
A partir da década de 30 acelera-se o processo de industrialização, com rápida urbanização alterando
siignificativamente o quadro social anteriormente caracterizado pela sociedade patriarcal rural, baixa
freqüência escolar .
Camponeses miseráveis atraídos pelas oportunidades de emprego afluíram para as cidades, orgulhosos
de suas novas funções de baixa qualificação e subalternas. Mas já podiam consumir, melhorar de vida, algo que o sistema agrário jamais lhes permitiu.
Nos anos 30 a industrialização se deu sob a tutela do Estado autoritário e nacionalista de Getúlio e vinculado a indústrias de base e atrativas oportunidades de investimento, que concretizaram-se no governo JK
marcadamente através das indústrias de bens de consumo, utilizando-se da estrutura estatal, em atendimento ao mercado emergente.
Multinacionais instalaram-se no país objetivando bons negócios e rápidos ganhos.
A cultura não escapa a esse processo, saltando da desinformação à cultura da TV.
Em suma, o país agrário e patriarcal salta sem ilustração, sem identidade, sem referenciais de autonomia, liberdade e igualdade para uma sociedade utilitarista e mercantil perpetuando as desigualdades, uma descontinuidade no processo de desenvolvimento.
As conseqüências não podiam ser outras: luta pela reforma agrária que reduzissem a migração e a manutenção da reserva de mão de obra barata; por melhorias das condições de trabalho e salário,
pressionadas para baixo por esse manutenção; por reformas do ensino que erradicassem o analfabetismo suprissem a formação que quebrasse a lógica mercantilista...
Resumindo: tratava-se da luta entre duas formas de capitalismo: o selvagem, sem mobilidade e o
Iluminado, participante.
O golpe de 64 representou a vitória, pela força, da primeira forma, mantendo o êxodo rural, rebaixamento do salário mínimo e “valorizando” a cultura: as reformas do ensino transformaram-se em
instrumento do mercado; os meios de comunicação de massa americanizam-se,tornam-se instrumentos
de louvação ou são censurados, nas mais variadas formas de censura. Gerou-se uma informação privada em detrimento da educação.
Substituiu-se a hierarquização patrimolista pela empresarial.
A identidade nacional não se forma, pulando a etapa de consolidação da civilização para as grandes massas.
Assim, foi possível transformar as diretas já em eleição indireta de Tancredo e Sarney, desembocar a Constituinte na eleição de Collor e submeter-se passivamente aos ditames neoliberais.
Não formaram-se cidadãos, mas contribuintes e consumidores.
Uma nação sem identidade, eivada do elitismo colonizado que procura frear a mera modernidade civilizatória.
Não é de espantar que os meios de comunicação entendam como restrição à liberdade romper com
Fonte: CARDOSO DE MELLO, J.M. & NOVAIS, F. Capitalismo Tardio e Sociabilidade Moderna.
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