O filme, rodado em branco e preto para potencializar a dramaticidade dos eventos em um vilarejo alemão às vesperas da 1ª guerra mundial, ressalta a educação repressora como origem do nazismo, que viria a permear todo o século XX, de cujas consequencias comportamentais e políticas ainda não estamos livres.
No caso, a justa revolta contra um sistema opressor, hipócrita não escapa da mesma prática de punição e violência, destituído de consciência, apenas como forma de livrar-se do tédio que se impõe.
Assim, todos se locupletam, eximindo-se de solucionar os mistérios crimes que assombram a aldeia e que são o caldo de cultura que levará ao autoritarismo, tanto de direita quanto de esquerda.
Seja por compactuar com eles em seu mal, seja por não ter forças (o professor, a menina que "sonha" com as maldades, a parteira que foge) para superá-lo.
O cineasta Michael Haneke faz recordar Herman Hesse e seu "Debaixo das rodas", o pensamento de Wilhelm Reich e os movimentos pacifistas.
Seu posicionamento político é questionável, uma vez que enxerga o mal no islamismo e escamoteia os males do sionismo, ignorando intelectualmente as ideologias, enquanto as assume na prática.
O que de forma alguma invalida sua crítica da cultura do medo e do mal que até hoje é um pesadelo que nos assombra.
Vale conferir também "Violência Gratuita" (Funny Games), do mesmo cineasta.
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