
"Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público.
O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública.
Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.
Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.
Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios.
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Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e as parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos.
Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para aturem com firmeza e autonomia." (Dilma Roussef, discurso da posse)
Segundo o que nos informa a mídia, na primeira reunião ministerial de seu governo Dilma a tônica foi a contenção de despesas, coerente com a parte inicial de seu discurso de posse.
Sem dúvida, ainda que o país venha se saído bem no decorrer da maior crise mundial dos últimos 80 anos, a manutenção das políticas sociais e de investimentos associada à estabilidade econômica, exige qualidade do custeio.
E aí é que mora o perigo...
Sem deixar de reconhecer todos os méritos do governo Lula, em momento algum foi atacada a maior tradição do serviço público (órgãos públicos e estatais federais): o compadrio, o aparelhamento do Estado, que permaneceu intacto por todo território nacional e ao contrário do que dizem os opositores, feito não apenas pelo PT, mas em grande parte pelos partidos de oposição nos governos estaduais.
Pior, no mais das vezes esse compadrio, esse aparelhamento se dá à revelia de conhecimentos técnicos ou habilidades.
Assim, quando se fala em cortes de gastos, vêm à mente quem pagará por esses cortes, que tradicionalmente penalizam os que estão no andar de baixo.
Seja por falta de materiais e equipamentos necessários ao bom desempenho, seja por ter de suportar em seus ombros os compadres de funções gratificadas que pouco ou nada fazem para o bom andamento do serviço.
Não que seja particularidade do serviço público, pois o mesmo se observa em empresas privadas.
Mas, se qualificar o custeio é condição sine qua non para que os investimentos possibilitem investimentos privados, esperemos que não seja o funcionário público ou estatal de carreira honesta que venha a pagar por essa conta.
Além disso, o acompanhamento dos caminhos e descaminhos dos recursos públicos federais até o local onde realmente as pessoas vivem, as cidades, deve ser vista como obrigação do Estado, tanto quanto a sua liberação, tão defendida para a manutenção da paz na base aliada.
Aí poderemos dizer que Dilma estará sendo coerente com o final de seu discurso.
É o mínimo que se pode esperar.
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